[Confusão]
Estamos às tantas, envoltos em revoltas;
Estamos
às tantas, aplaudindo àqueles que na beleza dos jardins preferem as flores
mortas;
Estamos
por aqui e por ali, nos debatendo como peixes fora d'água, clamando pela faca
afiada;
Estamos
por inteiro e outros que não se sabe ao certo se estão certos de si, torpes e anestesiados
encarando o abismo ao som de gargalhada;
[Espetáculo]
Nos tornamos o centro do Mundo, eles estão do lado de fora, nos assistindo em cadeira numerada,
Eles
sentem sede, pensam que somos uma nova espécie que se deve extinguir ou ser domesticada;
Eles
nos querem, querem tudo aquilo que se esconde sob nossos pés e o que se
multiplica em dada floresta;
Querem
nos reduzir, nos limitar, nos subordinar, nos dar em garantia as migalhas que lhes
resta;
[Contundente]
Há entre nós os traidores. São obtusos e ineptos, que se vendem, que querem nos pôr em leilão;
À
eles, a falha orgânica e seus corpos em putrefação, serão esquecidos pela história,
deixados à inanição.
Há
ainda os asseclas, com dedos em riste, declamando seu bem mais caro, o voto, em
sinal de submissão.
Em
seu epitáfio ler-se á: Bocas que calam sob as terras que ao mundo são raras, um
eco mudo que o tempo apagará com um simples “e assim se vão”
[Atrevidas]
Não nos cabe ajoelhar, não nos cabe reverenciar, não se gabem antes de acabar.
Não
cabemos em outro solo, não cabemos como ornamento, não cabemos em jardins em que
se atrevam nos limitar.
Lhes
daremos punhos fortes,
Lhes
permitiremos saber que dentre nossas linhas há homens e mulheres que não se encolherão em submissão.
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