sexta-feira, 23 de maio de 2014
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Tarde de velório
Foi
naquela tarde fria;
Que nóis foi dá adeus ao pobre Jeremia;
Foi naquela tarde fria;
Que nóis foi dá um tchau pra face que não sorria;
E o pobre do Jeremia, nem pra escuitá;
Mas nóis tava lá.
Era tarde!
E os Coroner de terno fino, rindo a vontade;
Na cidade, nem se quer um casório;
É verdade...
ÔÔ pobreza ingrata;
Eita nó na barriga que só a fome desata;
...
Tão dizendo por aí, que em tarde de velório não se faz passeata;
Tão dizendo que nóis, o povo, reclama de barriga cheia;
É difícil concorda se nóis não come nem aveia...
É difícil não olhar pra mesa alheia;
Foi
numa tarde de velório;
Que o povo deixou de ser burro pra ser irrisório;
Tão dizendo por toda a cidade;
Que o povo não aceita mais essa tal de impunidade;
Eu vi nas rua, o povo cantando o hino;
Eu vi nas rua, um povo magro, mas não franzino.
Que não quer mais sorrir pra foto na estante;
Eu sou uma voz entre outras mil;
Sou um dos filhos deste solo, mas que se cansou de ser gentil.
Ó... Pátria amada, Brasil...
Que nóis foi dá adeus ao pobre Jeremia;
Foi naquela tarde fria;
Que nóis foi dá um tchau pra face que não sorria;
Tava
nóis tudo lá;
Eu,
o João e a família e as fofoqueira com história pra contá;E o pobre do Jeremia, nem pra escuitá;
Mas nóis tava lá.
Era
tarde chique com o circo na cidade;
Era
tarde. E o povo, rindo da própria calamidade...Era tarde!
E os Coroner de terno fino, rindo a vontade;
Mas
pra nóis, era tarde de velório.
Era
tarde!Na cidade, nem se quer um casório;
É verdade...
O
povo todo tava lá, acompanhando a carreata;
O
povo todo chorando. E o único que ria, era o magnata;ÔÔ pobreza ingrata;
Eita nó na barriga que só a fome desata;
Tão dizendo que nóis, o povo, reclama de barriga cheia;
É difícil concorda se nóis não come nem aveia...
É difícil não olhar pra mesa alheia;
Que o povo deixou de ser burro pra ser irrisório;
Tão dizendo por toda a cidade;
Que o povo não aceita mais essa tal de impunidade;
Eu
vi na TV que os menino tava com a cara pintada;
Gritando
na rua: “Chega de palhaçada!”Eu vi nas rua, o povo cantando o hino;
Eu vi nas rua, um povo magro, mas não franzino.
Mas
afinar, quem sou eu?
Eu,
sou o povo heroico, num brado retumbante;Que não quer mais sorrir pra foto na estante;
Eu sou uma voz entre outras mil;
Sou um dos filhos deste solo, mas que se cansou de ser gentil.
Ó... Pátria amada, Brasil...
domingo, 21 de abril de 2013
4 Mãos
De
volta ao princípio, à criação;
Erguer
novos monumentos;Construir uma poesia a quatro mãos;
Dividir
a caneta e cada verso em criação;
Trazer
à tona antigos amuletos;Reescrevendo o fim antes da concepção;
Uma pausa;
fechar os olhos à destruição;
Versar sobre
tempo-espaço; E onde os afetos se encaixam nessa imensidão?
Correremos nas ruas gritando, adultos, fetos;
E do que falaremos, será contradição!
quinta-feira, 18 de abril de 2013
Hoje à noite
Vamos
musicar esse momento;
Vamos
tratar com melodia todo esse tormento;
Vamos
nos deitar esperando o sol se por;
Vamos
nos abraçar, nos desfazendo em amor;
Se
estamos à beira do fim;
Se
nossos braços não se cruzam mais, que seja assim;
Se
até mesmo o céu se pôs contra nós;
Se
as chamas não queimam mais quando estamos a sós;
Pra
onde correremos?
Onde
nos esconderemos?
Nossos
passos nos levam para lados opostos;
A
Terra se move nos deixando expostos;
Pra
que tudo isso, o que queremos provar?
Nossas
vidas sempre estiveram separadas, não do que nos privar;
Vamos
apenas nos deitar, sentir pela última vez o tempo correr;
Fechando
os olhos esperando um outro alguém morrer;
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Palanque de um homem só
Vamos
vestindo nossa melhor toga;
Vamos
fazer um discurso;Rabiscar em papel de pão nossas ideias em curso;
Vamos caminhar pelas ruas entoando um verbo forte;
Atirar contra nosso opressor, contra a própria sorte;
Beijar
os rasgados, os sujos. Vamos ao baile;
Reunir
na praça pública nossas crianças;Alimentar com mentiras hipócritas a sua esperança;
Vamos distribuir alegria;
Somos assim, vocês nos querem assim aceitando a letargia;
Lhes estenderemos a mão;
São vocês contra nós, não há escolha. Só sua rendição;
Vamos juntos às urnas, expressar a sua humilhação;
Serão apenas outros poucos anos antes da sua inanição;
Se puder
Se
puder dizer, me diga agora;
Se
der, me de seu coração;
Se
der, faça rima, poesia ou uma intenção;
Mulher
me diga a hora;
Me
de a direção;
Me
mostre o norte de teu peito, a perdição;
Me
beija a boca;
Me
diga que sim, talvez, ou apenas que não;
Me
ajude, estenda a mão;
Me
queira o corpo;
Me
deite no chão;
Mulher
seja forte, quando eu for a inanição;
Sou
homem que chora;
Sou
a voz que ora em busca de perdão
Sou
eu, a pena a espera do refrão;
Me
mostre o teu caminhar;
Me
diga, assim baixinho;
Sussurre
em chão de terra o caminho;
Me
diga!
Diga
o que nos inspira, quem somos, me de a razão;
Mas
não diga nada se fores apenas a imaginação;
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